Construindo um ambiente saudável


Entenda o papel da Engenharia Hospitalar no controle de infecções

As infecções hospitalares (IH), recentemente nomeadas Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde, constituem o evento adverso mais comum nas instituições de saúde e hospitais. Infelizmente, frequentes e catastróficas, as IH representam hoje um dos maiores desafios na saúde, tanto no cenário brasileiro, como em países desenvolvidos, drenando preciosos recursos financeiros e ceifando inúmeras vidas de pacientes.

Períodos de obras no ambiente hospitalar podem ter impacto direto nos pacientes. Fonte inevitável de particulados, seja no momento da demolição, na execução de alvenaria ou na execução de reparos em paredes ou forro, a poeira gerada em uma obra pode contribuir para as IH. Há relatos diversos de surtos de infecções, especialmente fúngicas, em momentos de construção e reforma. Neste momento devem aparecer ações mitigadoras desenvolvidas e aplicadas pelo engenheiro hospitalar em conjunto com os profissionais de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do estabelecimento de saúde.

O tamanho do problema? Estima-se que em países em desenvolvimento, como o Brasil, até 1 em cada 10 pacientes adquirem ao menos uma infecção ao longo de sua internação. Dados provenientes do órgão governamental norte-americano Center for Disease Control (CDC) atribuem às IH um custo extra de 20 bilhões de dólares ao sistema de saúde, além de associação com dezenas de milhares de mortes anualmente. Em 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou a Comissão Nacional de Prevenção e Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (CNCIRAS), visando disponibilizar estratégias e recomendações para diminuir a incidência e aliviar o impacto desta ameaça ao nosso tão desgastado e frágil sistema de saúde.

Apesar da sua frequência alarmante e de seu potencial desastroso, as IH são, em grande parte, evitáveis; sua prevenção, no entanto, depende de um olhar cuidadoso de todos os aspectos envolvidos na atenção ao paciente, desde os cuidados clínicos ao estudo detalhado do ambiente. Intervenções específicas e coordenadas, envolvendo desde mudanças culturais nos profissionais de saúde e adequação da estrutura hospitalar, são extremamente eficazes nos controle destas infecções.

Um projeto arquitetônico bem elaborado, seja ele de construção ou reforma hospitalar, tem o potencial de melhorar a qualidade e segurança do paciente ao contribuir diretamente para o controle das temidas IH. Como? O layout de quartos individuais, adoção de estratégias eficazes do sistema de filtragem e climatização do ar, atenção a localização de reservatórios de água, utilização de materiais passíveis de limpeza e desinfecção e disposição estratégica de pias e dispensadores de soluções alcoólicas, visando estimular a higienização das mãos, são algumas das ações que, se previamente discutidas e adequadamente implementadas, minimizam o risco de infecções.

A elaboração e execução de um projeto de reforma, ampliação ou construção oferece oportunidade para tomada de inúmeras decisões, sempre com impacto em custo, operação, viabilidade e apelo estético. Nos estabelecimentos de saúde, as necessidades do paciente deverão nortear todo este processo; a atenção e incorporação de elementos que auxiliam a mitigar o potencial de infecção sob execução coordenada por engenheiros com conhecimento das particularidades das obras hospitalares são, portanto, fundamentais para atender esta premissa.

A maioria dos clientes interessados em construir ou reformar ambientes de saúde nem sempre está atenta às diretrizes específicas desta área, bem como todas as oportunidades e informações técnicas que podem lapidar o processo de intervenção. Investir em um projeto fundamentado em conhecimento técnico, assim como em profissionais e empresas qualificadas e experientes na área hospitalar para coordenar a execução da obra, se traduz em maior segurança e satisfação, através de um ambiente mais saudável para seus pacientes.

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